Práticas do Comum: notas sobre o primeiro encontro

Roberto Anderson, mediador da mesa, propõe questões a serem encaminhadas:

1) poder público tem papel de suporte à dança? (via editais, subvenções, etc)

2) até que ponto a política de editais é suficiente?

3) até que ponto o Centro Coreográfico está inserido nessas políticas?

 

1a. fala, Rosa Coimbra:

política pública (decisão do Estado) vs decisão política (movimentos sociais devem contribuir, e cobrar quando for o caso);

“O edital ainda é um instrumento de acesso a recursos, financeiros inclusive”;

Até 20/out as metas do Plano Nacional de Cultura estão abertas à consulta. É importante participar e contribuir, “entender a proposta do sistema”. Devemos ter um pouco de conhecimento desse aspecto macro, das políticas apresentadas (para, por exemplo, poder dizer se tal ou qual edital está em sintonia com o PNC);

“Será que os editais em andamento hoje estão de acordo com nossas especificidades enquanto dança?”;

A “prisão” de alguns editais: módulos financeiros e demandas criativas (“o artista precisa ter liberdade para propor seus projetos”);

O excesso de burocratização: precisamos exigir a simplificação da maioria dos editais;

O acompanhamento dos projetos vencedores por parte do governo;

A escolha das comissões avaliadoras: “gostaria de entender por que não fui contemplada”, a preferência pelos artistas já estabelecidos;

A necessidade de salvaguardar direitos através de leis.

 

Roberto faz uma provocação: será que as empresas privadas não estão tomando o lugar do Estado no que diz respeito ao fomento mais estendido de grupos e companhias?

 

2a. fala, Diana de Rose:

“Edital não é política, é ferramenta”;

Ações que capacitem todos os atores envolvidos na área são mais importantes do que os editais por si mesmos;

É necessária a participação da sociedade civil para acompanhar as ações promovidas pelo poder público;

Abaixo-assinados podem ser uma maneira de comunicar demandas ao poder público;

O Centro Coreográfico não terá mais um diretor, mas sim um gestor; neste caso, a gerência de dança assumirá a função com o objetivo de aproximá-lo da administração (Prefeitura) e gerar verba própria;

“A dança do Rio de Janeiro deve se apropriar do CCo como sendo dela, a sua casa”;

Formato de residências no CCo está sendo repensado no momento;

5 milhões estão garantidos para o FADA (Fundo de Apoio à Dança) logo no primeiro semestre de 2012.

 

Roberto faz nova intervenção: os editais contemplam a demanda de integração entre dança e outras linguagens artísticas?

 

3a. fala, Sérgio Cohn:

“Os editais que interessam são os biodegradáveis”: eles tendem a se eternizar, a criar dependência deles. “O bom edital é aquele que possibilita a “libertação” de seus contemplados”;

Não há esforço efetivo por parte do poder público de mapear a produção cultural brasileira;

Pontos a serem considerados/contemplados pelos editais: 1) reflexão crítica; 2) mapeamento do que é produzido (“precisamos informar aos nossos pares, de maneira crítica, o que é produzido, entender o que é produzido”); 3) construção de público (“de que adianta apenas pensar na produção de espetáculos?” “precisamos trazer essas informações ao público!”);

A política dos editais faz com que artistas se olhem entre si como competidores, não como parceiros (o edital enquanto fator embotador do diálogo).

 

 

 

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